Um dos princípios da Fazenda São João/True Type, a terceira maior produtora de leite do Brasil, é o de gerar conhecimento e difundi-lo colaborando para o crescimento do agronegócio brasileiro. Com este intuito, dia 11 de setembro de 2010, a fazenda abriu suas porteiras para a quinta edição de seu Dia de Campo.
Cerca de 2.000 mil pessoas, entre estudantes produtores rurais, técnicos, empresários, imprensa e expositores, passaram pela propriedade ao longo do dia e puderam conhecer o sistema de produção e de gestão.
O evento começou logo cedo, às 7h, com o credenciamento e um café da manhã na tenda central. Em seguida, por ordem de chegada, os participantes foram divididos em cinco grupos que acompanharam o ciclo de palestras em diferentes locais da fazenda.
Na primeira tenda, o diretor comercial do ReHAgro – Clóvis Correa - apresentou o projeto da Fazenda São João, como foi planejado e como chegou a ser o que é hoje, e também falou sobre o ReHAgro, uma empresa de capacitação e treinamento, que nasceu dentro da fazenda e que hoje atua em oito estados brasileiros.
Em seguida, os participantes foram de ônibus até a segunda tenda, localizada no meio da plantação de tifton, e ao lado de uma lavoura irrigada de milho. No caminho, foi possível ver alguns dos oito pivôs de irrigação utilizados nos 440 ha da fazenda nestas condições. Toda a produção agrícola é destinada ao gado leiteiro.
Ministrada pelo professor da Universidade Federal de São João del Rei, Silvino Moreira, a segunda palestra apresentou os resultados do cultivo de milho transgênico na propriedade. Segundo o pesquisador, desde 2008 a fazenda utiliza o milho Bt (Bacillus thuringiensis) e os resultados tem sido positivos. “A produtividade tem sido a mesma da obtida com milho comum, mas reduzimos o número de aplicações de defensivos, reduzindo o impacto ao meio ambiente e o contato dos funcionários com o produto”, explica.
Segundo Silvino, a qualidade dos produtos colhidos tem sido melhores, além de ter gerado a redução nos custos. Ele, entretanto, alertou para o fato de que cada região precisa de sua análise específica e de acompanhamento profissional, como, por exemplo, o monitoramento da incidência de lagartas na lavoura e de outros insetos.
| Palestra de Paulo Henrique e Alberto |
Na palestra seguinte, os participantes puderam conhecer o setor de recria da fazenda. O veterinário responsável pela fazenda, Paulo Henrique Garcia, falou sobre o processo de manejo e de sanidade adotado com os bezerros, apresentou as etapas da criação e também explicou como é feito o controle da Tristeza Parasitária na São João, mostrando os cuidados necessários para proteger o rebanho e permitir um ganho maior.
Na sequência, os participantes puderam passar pelas instalações do setor de recria, ver os animais e ler informações sobre nutrição e manejo que foram dispostas ao longo do percurso.
Na tenda seguinte, a gestão com foco em resultados foi o tema abordado pelos técnicos do ReHAgro, Gustavo Melo e Felipe Cury. Eles apresentaram o método de gestão adotado na Fazenda São João e nos demais clientes do ReHAgro, nos quais a administração parte dos resultados esperados e não da incerteza da produção. Em 15 minutos, eles deram dicas básicas gestão que contribuirão para que a produção rural seja uma atividade lucrativa.
Segundo Gustavo Melo, o sucesso de um empreendimento está na forma como é administrado e no envolvimento de toda equipe, que deve estar sintonizada em prol dos objetivos esperados.
Logo após a palestra sobre gestão, os participantes voltaram aos ônibus e foram levados para o setor de confinamento. Em uma tenda montada entre o freestall de e os silos, o técnico do ReHAgro, Euler Rabelo, abordou os desafios e vantagens da utilização da cana-de-açúcar na nutrição dos animais. Com exemplos do trabalho desenvolvido na Fazenda São João, o técnico elencou os prós e os contras desta alternativa, dando aos participantes uma noção sobre o que devem levar em conta na hora de decidir entre a cana ou outra forragem.
Em seguida, o grupo de visitantes passou pelos galpões de confinamento, conheceu as acomodações dos animais e se dirigiu para a última palestra do ciclo, realizada ao lado da sala de ordenha.
Com os animais sendo ordenhados ao fundo, o técnico do ReHAgro, Eduardo Diniz, abordou um dos principais diferenciais da São João. A gestão de pessoas e a dificuldade de se encontrar mão-de-obra no meio rural. Ao mostrar a realidade do campo, o técnico levou os participantes a refletirem sobre as condições de trabalho que muitas vezes são dadas aos trabalhadores rurais, o que faz com que a mão-de-obra seja escaça e desqualificada. Ele também mostrou como a fazenda fez para superar estes desafios e como mantém o constante treinamento de sua equipe. Um dos funcionários deu seu depoimento sobre como cresceu profissionalmente e também pessoalmente, dentro da propriedade.
Para finalizar a visita pelas instalações da fazenda, os participantes conheceram a sala de ordenha e puderam tirar suas dúvidas com funcionários da São João e com integrantes da equipe ReHAgro.
De volta à tenda central, o público presente pôde visitar os estandes das empresas patrocinadoras, conhecer mais sobre a fazenda e, durante o almoço, acompanharam shows musicais com Renato, da dupla Antônio Carlos e Renato, e da banda de música de Inhaúma. Também foram feitos sorteios de brindes para as pessoas que acumularam carimbos de todos os estandes.
Após o intervalo de almoço, o ex-ministro da Agricultura, Dr. Alysson Paulinelli encerrou o evento com uma palestra magna na tenda principal. Principal nome do agronegócio brasileiro, ele fez uma contextualização da atividade no Brasil, mostrando sua história, como se desenvolveu e como chegou a ser o que é hoje, um dos principais movedores da economia do país.
Com a metáfora do imortalizado Jeca Tatu, personagem de Monteiro Lobato, Paulinelli mostrou como a atividade desenvolvida no campo evoluiu nas últimas décadas e ainda criticou a pequena influência política do setor. “O problema da agricultura brasileira não está dentro da porteira do Jeca Tatu. O problema está nas mãos dos maus políticos que não são capazes de aproveitar todo o potencial da atividade”, disse o ex-ministro, culpando o equívoco na escolha dos representantes e a falta de organização da categoria que não se faz representada.
Ele ainda abordou a importância do agronegócio para a melhoria na qualidade de vida dos brasileiros. Segundo ele, na década de 1970 a população comprometia 48% de seu salário com alimentação e hoje este número é de apenas 13,6%.
Paulinelli ainda projetou o futuro do setor, que segundo ele, “se não fizermos bobagem, o agronegócio nos levará a ser o país mais rico do mundo”, disse o ex-ministro que foi muito aplaudido pelos participantes.
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